No Dia do Trabalhador Rural, agricultores declaram amor pela profissão

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Solange Poppi conta que quando diz que é trabalhadora rural e que cuida de orquídeas, vê encantamento no olhar das pessoas. Foto: Emater-DF/Divulgação

 

Criado para homenagear todas as pessoas que trabalham nas zonas rurais do Brasil, o Dia Nacional do Trabalhador Rural, celebrado nesta segunda-feira (25), é uma data de orgulho para aqueles que se dedicam ao campo, seja na produção de alimentos, no cuidado de animais, no turismo rural ou na conservação ambiental.

Amor ao trabalho rural é a definição que produtores expressam nessa data. Histórias diversas como a de Solange Cristina, que deixou a área de Tecnologia da Informação (TI) há dois anos e passou a cuidar de orquídeas em uma propriedade rural em Planaltina; a de Sirley Rodrigues, do núcleo rural Chapadinha, que cria quatro filhos produzindo em 1 hectare de terra; e a de Lucas Pacheco, que trabalha em prol do povo do campo como extensionista rural da Emater-DF e produtor nas horas vagas, definem bem o orgulho desses trabalhadores.

Com território de 851,487 milhões de hectares, o Brasil tem 5.073.324 milhões de estabelecimentos agropecuários, que ocupam área total de 351,289 milhões de hectares. O número revela que 41% da área do país é ocupada pela agropecuária, conforme o Censo Agropecuário 2017, que teve os resultados divulgados em 2019 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O DF tem uma área total de 578 mil hectares, dos quais 404 mil (70%) estão na área rural e 345 mil são próprios para a agricultura e pecuária. Na área rural da capital, vivem 87,9 mil pessoas.

Da área de TI para o cultivo de orquídeas
Em Brasília desde 2012, Solange Cristina Almeida Poppi, 47 anos, trabalhava na área de tecnologia. Veio de São Paulo transferida por uma empresa que prestava serviço de tecnologia para Caixa Econômica Federal (CEF). Com o desligamento da empresa em 2018, resolveu investir toda a rescisão em uma propriedade no campo e há aproximadamente dois anos passou a ser uma trabalhadora rural.

“Em 2018, pensei em procurar algo que me desse prazer. Na época, decidi investir pensando na ‘envelhecência’, como eu costumo dizer. Encontrei o anúncio da chácara na internet. Fui lá sozinha, gostei, fechei e levei meu marido em seguida para conhecer. Os produtores da Rajadinha me abraçaram”, comemora.

Desde que assumiu a propriedade, onde cuida de orquídeas, ela diz ter conseguido clientes, mesmo sem divulgação. “Vendo para as pessoas só no boca a boca e para as que me conheceram na Feira da Rajadinha, em 2019. Minha ideia não é participar de feira, é desenvolver o circuito, o agronegócio, levar as pessoas para a minha propriedade para que que elas vejam como eu cuido das orquídeas, para tomar um café, deitar na rede em um espaço que criei e comprarem, caso queiram”, conta.

Na hora de dizer o que é ser uma trabalhadora rural, Solange se emociona e resume tudo em “admiração e respeito”. “Eu, sinceramente, vejo esse trabalho com muito respeito. Respeito os trabalhadores rurais de uma forma tão amorosa. Eu já gostava e respeitava, mas hoje, fazendo uma analogia de tudo o que eu vivi, sou só admiração e respeito pelo trabalho rural”, afirma.

Solange conta que quando diz que é trabalhadora rural e que cuida de orquídeas, consegue ver encantamento no olhar das pessoas. “As pessoas adoram e ficam encantadas, muito mais do que quando eu falava que trabalhava na área de sistemas”, confessa.

Extensionista e produtor rural
Vindo de Ipameri (GO) para Brasília em 2008, Lucas Pacheco, 35 anos, é produtor rural e extensionista rural na Emater-DF. De acordo com ele, sua família toda é rural. “Vim do interior de Goiás e minha família sempre mexeu com fazenda, com roça. Tomei a decisão de fazer o curso de agronomia porque eu queria trabalhar na área. Na época, meu foco era trabalhar na propriedade da minha família”, conta.

Durante o curso de agronomia, após se destacar como aluno, um professor o alertou sobre seu perfil de extensionista e o convidou a conhecer o trabalho de extensão rural da Emater-DF. “Eu descobri que era um trabalho diferente e tomei a decisão de trabalhar na extensão, mas a minha produção eu nunca abandonei”, relata.

Em Tabatinga, área rural de Planaltina-DF, Lucas instalou residência, onde mora com a esposa, que também é do campo, e o filho de 9 meses. É também no escritório da Emater-DF em Tabatinga que Lucas atua. “Na Emater a gente atua com foco nas pessoas e o trabalho é bem amplo. A gente ajuda com questões de habitação, saneamento, benefícios sociais, cidadania, produção, comercialização, fiscalização, imposto de renda, cadastro ambiental, licenciamento”, afirma ele, destacando que o trabalho em prol dos pequenos produtores vai muito além da assistência técnica.

Já em sua propriedade, ele cultiva plantas suculentas, diversos tipos de frutas, além de milho verde e feno para alimentar os animais. Sobre o trabalho no campo, ele relata ser uma vocação. “É mais que simplesmente um amor, é um dom, uma vocação. É o que a gente sabe e ama fazer. Em qualquer fase da economia mundial o produtor é sempre um apostador, um otimista. Ele sempre acha que a próxima safra vai ser melhor de colheita e sempre com foco em uma alimentação de qualidade para as famílias”, ressalta.

Progresso no trabalho rural
Em Brazlândia, no núcleo rural Chapadinha, Sirley Rodrigues da Silva, 41 anos, vive com os quatro filhos e a esposa em uma propriedade de pouco mais de 1 hectare. De lá, ele tira o sustento de toda a família. Filho de produtor rural, Sirley diz que veio a Brasília em 1993, quando tinha 13 anos. Chegou aqui com os pais, que também eram trabalhadores rurais. Aos 18 anos conseguiu sua terra, onde vive e trabalha até hoje.

Orgulhoso, ele conta que todos os filhos trabalham em sua propriedade. “Participo de cursos da Emater e  procuro cada vez mais melhorar minha produção. Aqui a gente trabalha em família. Estamos vivendo, progredindo, meus filhos estudando. A gente tem o sonho de ver os filhos estudados, mas se eles não conseguirem arrumar um emprego, pelo menos sabem mexer com agricultura e tirar o sustento”, diz.

Na propriedade, Sirley conta que costuma produzir variedades. “Faço uma verdadeira salada no cultivo, que vai de chuchu, brócolis americano, pepino e até tomate, no período da chuva”, diz. No entanto, o carro-chefe de produção e vendas é o chuchu.

Ele também já produziu morango em sistema hidropônico. “Fiz uns cursos, peguei algumas aulas com a Emater e deu boa produção, mas não sobrava lucro. Já tem 21 anos que eu estou produzindo e fazendo rotação de cultura”, conta. Grande parte das vendas é realizada na Feira do Produtor, em Ceilândia.

Quando chegou em Brasília, passou por dificuldades como a falta de água, o que atrapalhava a produção. Além disso, os produtos eram vendidos por ele em uma bicicleta cargueira, batendo de porta em porta. Hoje, com a ajuda de extensionistas da Emater-DF, conseguiu muitas conquistas, diz. “Com incentivo da Emater, mudei o jeito de cultivar, consegui fazer um poço artesiano, trabalhar com sistema de gotejamento, comprei o túnel e a gente foi crescendo. Consegui adquirir um automóvel e também um reboque para levar minha mercadoria para a cidade”, comemora.

*Com informações da Emater-DF